quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Para melhorar o quadro político, a sociedade tem que melhorar


                                     

         Com a condenação de Roberto Jefferson a mais de sete anos de prisão, a Ação 470 está saindo do núcleo PT.  Ninguém sabe até onde vão as punições. Há consenso de que poucos são os políticos fora do Mensalão, ou do esquema geral de corrupção. E ninguém pode negar que todos, corruptos e não corruptos, chegaram ao poder pelo voto do povo, a árvore que gerou os frutos.  Se queremos bons  produtos, temos que criar matéria prima de primeira qualidade.

         Na matéria adiante, José Luiz Lopes Gomes mostra que o Brasil está em penúltimo lugar em Educação, dentre 40 países pesquisados no mundo.  Aí está a questão. Sem  educação, sem conhecimento qualificado, sem a cultura de valores  positivos a dominar o pensamento e o comportamento da população, ela transfere o voto, seu jeito de ser e de pensar para o quadro político.   

         As qualidades para aprimorar uma sociedade e dar-lhe aptidão de credibilidade e de exercer cidadania plena tem de começar nos primeiros anos de vida, no seio da família, nas creches, nas pré-escolas e seguir pelos cursos básico, médio até os superiores.  Seria como uma reciclagem da sociedade.

         Para tanto é necessário considerar a relação causa/efeito.  Significa quem vai ensinar quem para essa indispensável transformação, se quisermos evitar que brotem outros mensaleiros, imediatamente nas vagas dos atuais punidos.  Isto implica, acima de tudo, em melhorar a qualidade moral dos pais, dos professores e de todos os adultos que têm influência sobre a formação das crianças e da juventude crescente.

         Alguém pode comodamente dizer que tudo depende do governo.  Esse argumento constitui cínico escapismo. Cada um tem que aprimorar seu jeito de ser e de agir.  Principalmente porque o quadro governante está bichado pela corrupção epidêmica.

         Mesmo as pessoas dotadas de pouco conhecimento educacional precisam absorver a cultura da necessidade de aprender, de adquirir conhecimentos, de transmitir valores.  Cada um pregar ou convencer outros à conveniência dessa mudança de comportamento, para transformação do grupo social. E que esse grupo habilitado terá condições conscientes de cobrar dos governantes a obrigação de fazerem a sua parte, no uso devido dos recursos oriundos dos impostos, com prioridade para a Educação, a geratriz de todas as questões que envolvem o município, o estado e a nação.

         Aí sim, quando chamados os governantes, eles são obrigados a respeitar professores e estabelecimentos de ensino, contratando profissionais de pedagogia competentes, responsáveis, com vocação para o magistério e em condições de estarem sempre atualizados sobre a evolução do ensino.  Para isto têm que ser bem remunerados, acima do que se paga na rede particular, para manter-lhes o estímulo e evitar serem cooptados pelas empresas particulares do ramo. E os governantes têm de aparelhar as escolas, de maneira a serem centros de aperfeiçoamento permanente em pesquisas e treinamento.

         Às elites cabe abrir mão do egoísmo da exclusividade do conhecimento. A própria sociedade tem que chamar a si este direito e esta necessidade. E todos têm que agir com espírito patriótico para um dia sairmos dessa situação vergonhosa de sermos o penúltimo em educação, como parte  desta humilhante constatação:  “seis nações foram incluídas na lista dos piores sistemas de educação do mundo: Turquia, Argentina, Colômbia, Tailândia, México e Indonésia, país do sudeste asiático que figura na última posição. Indonésia é a última, porque o Brasil é a penúltima.  Neste quatro vexatório, ainda perdemos para México, Tailândia, Colômbia, Argentina e Turquia. Para onde vão os recursos do nosso petróleo e do nióbio, sobre o qual detemos 98% do mundo?

       Educação é dever do Estado e direito do cidadão. Mas é também dever do cidadão.  Sem ela não existe cidadania. Existe uma coletividade de indivíduos, nem sempre dotados de civilidade, de urbanidade, de cultura, de imagem própria. Tornam-se robôs com formato humano, sem idéias próprias e sujeitos à manipulação dos dominadores de baixo caráter que os transformam em semi-escravos a viverem eternamente em situação de dependência degradante.

       Estávamos no fundo do poço. Ainda não saímos. O lodo da Indonésia apenas serve para nos calçar. Na relação causa efeito, esta posição educacional mostra a razão de termos os piores e mais caros políticos do mundo. A chama da esperança agoniza. 

       Entretanto, surge o Ministro Joaquim Barbosa e alimenta essa chama na torre da mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal. Surgiu quando nada mais se esperava. Despertou o ânimo. Por enquanto, parece que está sozinho. Precisa surgir na hierarquia do Judiciário outros com o seu vigor, caráter e isenção de espírito.  Mas, acima de tudo, tem que haver uma reciclagem no caráter do povo, que não tem mais o direito de “deixar como está para ver como fica”.  Uma população destituída de civilidade e de educação forma um conjunto de indivíduos, nunca uma pátria. E o sentimento de patriotismo é que pode fazer esse povo levantar-se altaneiro, sem violência, mas com firmeza de propósito, para aprender, ensinar, educar, formar novo tipo de governantes, ser o agente da história e tirar o país desta condição triste e humilhante, o penúltimo em educação, um dos piores em corrupção.

       O título de Penta Campeão Mundial de Futebol é muito pouco, e não liberta a nação do atraso, da miséria, da violência e dos maus políticos; pelo contrário, alimenta-os.
(Franklin Netto – viscondedoriobrancominasgerais@gmail.com)   

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